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Expectativa de vida é impactada pela desigualdade econômica e social

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Texto: Felipe Bueno*
Arte: Diego Facundini**

A desigualdade existente no Brasil impacta diferentes setores da sociedade, tanto na parte econômica, a exemplo do desequilíbrio na distribuição de renda, quanto na social, como o número de habitantes em situação de rua — que, segundo relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), obteve um salto de cerca de 1000% entre os anos de 2013 e 2023. Assim, esses e outros fatores destacam como essa realidade desigual influencia na expectativa de vida dos cidadãos.

Por exemplo, um estudo realizado em 2021 pelo Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade (LabCidade), da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, apontou que os bairros periféricos do município de São Paulo tiveram três vezes mais mortes por covid-19 do que os bairros centrais e, por outro lado, tiveram menor taxa de vacinação. Além disso, a Rede Nossa São Paulo revelou, em seu mapeamento de 2022, que a expectativa de vida do cidadão paulistano pode variar em até 21 anos a depender de onde ele mora.

Combate à desigualdade na saúde

Segundo Fernando Aith, especialista em Direito Sanitário e diretor geral do Centro de Pesquisas de Direito Sanitário (Cepedisa) da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, o principal meio para combater a desigualdade na expectativa de vida é o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), a partir de financiamento público para reforçar a atenção primária, prevenção e promoção da saúde. “A OMS estima que uma atenção primária bem organizada consegue suprir 90% das necessidades de saúde da população de média e alta complexidade. Os outros 10% ficariam sob cuidados médicos que vamos precisar algum dia na vida, mas é exceção”, completa.

Ainda para ele, é necessário que haja melhorias na formação de médicos especialistas, ao mesmo tempo em que eles devem ser espalhados para trabalhar ao redor do país, e, dessa forma, evitar que se mantenha a desigualdade entre as regiões do Brasil.

Fernando Aith – Foto: ResearchGate

Outro meio apontado por Aith é a ampliação da saúde digital: “É um campo que se abre e que é promissor para levar esses serviços públicos de saúde para áreas mais desabastecidas e de difícil acesso”. O fenômeno foi acelerado por conta da pandemia de covid-19, que obrigou a população a viver pela internet e, mesmo após esse período, ele vem sendo continuado — o que estimula o aprendizado desse novo formato para garantir serviços de qualidade.

Jornal Usp

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