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Refugiados e a complexidade que não se vê

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Foto: Antonio Masiello/Zuma Press

Na semana do Dia Mundial do Refugiado, celebrado em 20 de junho, o Grupo de Estudos e Pesquisa MIGREF, sediado na Universidade Federal do ABC (UFABC), lança o livro “Migrações transnacionais de refugiados e outros migrantes: conceitos e experiências”. O lançamento contou com dois eventos abertos ao público na capital paulista: na sexta-feira (19/06), na Missão Paz, e no sábado (20/06), no Museu da Imigração.

Migrações Transnacionais de Refugiados e Outros Migrantes: Conceitos e Experiências, disponível para download gratuito

Resultado de três anos de amadurecimento intelectual e financiada pelo edital Chamada Universal do CNPq, a obra desafia visões tradicionais e eurocêntricas sobre o deslocamento humano. Sob uma lente estritamente interdisciplinar — cruzando Relações Internacionais, Ciência Política, Sociologia, Antropologia, Demografia e Direito —, o livro coloca em xeque binarismos rígidos (como “migração voluntária” versus “forçada”) e lança luz sobre os marcadores sociais que atravessam essas vivências: gênero, raça, etnia, sexualidade, classe e geração.

A força das pessoas no centro da pesquisa

Criado em 2019 e vinculado à Cátedra Sérgio Vieira de Mello da UFABC/ACNUR, o MIGREF tomou uma decisão teórica e política já na escolha de seu nome oficial, preferindo o termo “refugiados” a “refúgio” para priorizar os sujeitos em vez dos institutos jurídicos.

“Como pesquisadores, é nosso papel questionar os rótulos burocráticos. O solicitante de refúgio no Brasil, por exemplo, frequentemente enfrenta o que chamamos de ‘provisoriedade permanente’ devido à política da espera do Estado. Ao mesmo tempo, propomos olhar a migração pelo viés do desenvolvimento humano e da liberdade, e não apenas sob métricas econômicas ou de força de trabalho. O livro convida a comunidade científica e a sociedade a enxergarem o migrante como sujeito ativo de sua própria história.”, explica a Profa. Dra. Julia Bertino Moreira, uma das coordenadoras do MIGREF.

Interseccionalidade e realidades do Sul Global

Dividida em três partes estruturais, a obra aborda desde o desenraizamento forçado e a resistência ancestral de comunidades afrodescendentes e indígenas na Colômbia, até os desafios contemporâneos da “infância migrante” desacompanhada e o uso de redes digitais no tráfico de pessoas. A integração local também ganha contornos críticos através do pensamento pós-colonial de Abdelmalek Sayad e de relatos de mulheres negras do Sul Global em São Paulo.

“Adotar a interseccionalidade não é um mero detalhe acadêmico, é uma necessidade empírica. As vivências de mulheres paraguaias ou de refugiados sírios em São Paulo nos mostram que processos como a integração local e a reconstrução de identidades através da memória e do silêncio são profundamente marcados pelo gênero e pela raça. Nosso objetivo é que essas pesquisas sirvam de base para o aprimoramento de políticas públicas reais no Brasil.”, afirma a Profa. Dra. Marilda Aparecida de Menezes, que também coordena o grupo.

 

Ficha Técnica do Livro

Título: “Migrações Transnacionais de Refugiados e Outros Migrantes: Conceitos e Experiências”

Organizadoras: Julia Bertino Moreira e Marilda Aparecida de Menezes

Editora: Appris

Ano de publicação: 2025

Apoio/Financiamento: CNPq / MCTI (Chamada Universal nº 10/2023)

Disponível para download gratuito em: https://migref.wordpress.com/publicacoes/

www.outrapalavras.net 

www.radiomigrantes.net