estudante haitiano Renald Edouarzin na EMEF/EJA Padre Jose Narciso
Foto Rodrigo Capela /PMC
A Secretaria de Educação de Campinas tem 230 estudantes imigrantes matriculados na educação infantil e no ensino fundamental. Eles nasceram em 29 países localizados nos continentes da América, Ásia, África e Europa, sendo que os maiores grupos são de três países: Venezuela, Colômbia e Haiti. Juntos, eles representam 140 alunos, o equivalente a 60,8% do total.
A presença de imigrantes contribui para ampliar a diversidade cultural das comunidades escolares envolvidas e reflete o papel de acolhimento da educação de Campinas.
Os grupos mais numerosos deixaram os países de origem por motivos como crises humanitárias, econômicas e políticas, em busca de segurança, alimentação e emprego.
“Fatores como qualidade de vida e desenvolvimento econômico tornam Campinas uma cidade atrativa. E a nossa rede de ensino é muito cuidadosa e acolhedora com a diversidade, o que torna um pouco mais confortável esse processo de adaptação para as famílias que chegam ao Brasil”, avaliou a secretária de Educação de Campinas, Patrícia Adolf Lutz.
A quantidade de estudantes imigrantes oscila anualmente. Dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE em junho do ano passado, mostram que Campinas tinha cerca de 3,1 mil imigrantes naquele ano. Estados Unidos e Haiti são as principais origens.
Países de origem dos imigrantes na educação básica de Campinas
– Venezuela, Colômbia, Haiti, República Dominicana, Angola, Peru, Cuba, Paraguai, Argentina, Equador, Afeganistão, Alemanha, Chile, Etiópia, Irlanda, Itália, Portugal, Egito, Japão, Bolívia, Congo, EUA, Marrocos, Moçambique, Paquistão, Emirados Árabes, Catar, Gabão e Bélgica.

Imigrantes na educação básica de Campinas (por ano)
– 2026: 230
– 2025: 254
– 2024: 210
– 2021: 204
Principais perfis dos imigrantes na educação básica de Campinas em 2026
– Venezuelanos – 97 (55 no infantil e 42 no fundamental)
– Colombianos – 26 (17 no infantil e 9 no fundamental)
– Haitianos – 17 (9 no infantil e 8 no fundamental)
Advocacia, medicina e futebol
A diversidade faz parte do cotidiano da Emef/EJA Padre José Narciso Ehrenberg, no Jardim São Marcos, por exemplo. A estudante venezuelana Rosiber Martinez, de 13 anos, está com a família em Campinas desde julho do ano passado. Ela saiu de El Tigre em 2019 e depois passou por Manaus, capital do Amazonas, antes da mudança para a cidade paulista.
“Me acolheram muito bem. O pessoal da sala e a direção foram super gentis, me ensinaram como me adaptar. Viemos por causa da situação econômica de lá, para ter um futuro melhor. Um dia pretendo voltar para o meu país, mas gosto muito de Campinas”, afirmou a jovem que demonstra facilidade em usar a língua portuguesa.
Ela destacou o Taquaral entre os lugares favoritos para visitar com os pais e as irmãs. Além disso, sonha em ser advogada. “Senso de justiça, defender o que é certo”, contou.
Já o haitiano Renald Edouarzin, de 13 anos, está há um ano no Brasil e mora com a mãe, o padrasto e a irmã. Ele diz que se encantou pelo futebol e aponta as diferenças na alimentação. “Gosto do Corinthians e quero ser jogador. Aqui tem pão de queijo e comidas que lá só ricos têm acesso, como a pizza”, falou o adolescente, que também gosta de ir ao cinema. Antes, ele morava em Porto Príncipe.
Marie Louistal, de 14 anos, mencionou a busca por segurança como um dos motivos da imigração da família após a saída da capital do Haiti. Para ela, os momentos de lazer passam pela observação dos sombrites e do fluxo intenso de pessoas nas lojas da Rua 13 de Maio, principal via de comércio popular do Centro da cidade. “Quero ser médica para ajudar as pessoas”.
No caso dela, algumas palavras ainda mencionadas na língua crioulo haitiano fazem com que professores e a diretora Márcia Cavati recorram às plataformas de tradução on-line para apoio. A empatia e o acolhimento facilitam a comunicação. “Ao mesmo tempo em que é desafiador, por conta do idioma quando eles chegam, é muito enriquecedor culturalmente”, avaliou a diretora. Ela lembrou que a presença de haitianos na escola já ocorre há pelo menos dez anos, enquanto estudantes de outras nacionalidades são mais recentes.
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