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‘Nunca imaginei que acabaria na África’: o limbo dos latinoamericanos deportados pelos EUA para o Congo

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Carlos Rodelo (à esq.) e Jorge Cubillos em um hotel de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo. 

  • Norberto Paredes
  • Role,BBC News Mundo

Durante oito anos, Jorge Cubillos se esforçou para construir uma nova vida nos Estados Unidos após fugir de ameaças na Colômbia.

Ele afirma que tinha autorização de trabalho, um processo de asilo em andamento e expectativa de permanecer no país.

Mas, de repente, foi deportado para a África sem maiores explicações.

Em entrevista à BBC News Mundo em um pequeno quarto de hotel em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, ele diz que está doente e desorientado, longe de tudo o que conhece e de seus quatro filhos e de sua esposa, que ficaram no estado da Flórida.

“Nunca imaginei que acabaria na África. Achei que eram só ameaças”, afirma.

Cubillos faz parte de um grupo de 15 latino-americanos que foram deportados na semana passada dos Estados Unidos para o Congo, no âmbito de um controverso acordo com países terceiros assinado pelo governo do presidente americano Donald Trump.

Os migrantes e solicitantes de asilo são originários da Colômbia, do Peru e do Equador. É o primeiro grupo que chega ao Congo desde que o acordo foi firmado.

O governo do país africano defendeu sua decisão de receber migrantes provenientes de países terceiros como um compromisso com a dignidade humana, a proteção dos direitos dos migrantes e a solidariedade internacional.

Também reiterou que a permanência dessas pessoas no país é temporária e que a acolhida, o apoio e o atendimento estão sendo financiados pelos Estados Unidos.

Mas os migrantes e solicitantes de asilo entrevistados pela BBC News Mundo afirmam que suas condições no Congo estão longe de ser ideais e que sua saúde está se deteriorando rapidamente.

Marta, que não quis revelar seu verdadeiro nome por medo de represálias, conta que seu calvário começou com a visita de um grupo de agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE).

Ela relata que, em 13 de fevereiro, após uma longa batalha legal durante a qual passou 14 meses detida e que incluiu um habeas corpus concedido por um juiz federal, foi libertada. Afirma que tinha autorização de trabalho e seguia seu processo migratório “de maneira correta”.

‘Nossos direitos humanos foram violados’

Mas, em 2 de abril, seu destino mudou repentinamente.

Ela diz que, naquele dia, agentes do ICE chegaram à sua casa no Texas, bateram à porta e lhe mostraram, através do vidro, uma ordem de supervisão com a qual havia sido libertada anteriormente. Disseram que precisavam apenas verificar seu endereço.

“Não vi nenhum problema e abri a porta”, recorda.

Vista geral da Avenida 30 de Junho em Kinshasa, em 20 de outubro de 2025.

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,O grupo de sul-americanos afirma não se sentir seguro na capital congolesa.
 
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