Equipe do censo comunitário. Foto: Divulgação
A Universidade Federal do Paraná (UFPR) participa, na próxima terça-feira (18), da apresentação de um censo realizado na comunidade de Andorinhas, em Piraquara, com dados sobre pessoas refugiadas e migrantes que vivem na localidade. O evento vai abordar o perfil demográfico e socioeconômico, as condições de vida e as principais demandas desta população.
Os dados foram obtidos por meio de censo comunitário realizado entre abril e julho pela Prefeitura Municipal de Piraquara em parceria com a UFPR e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). O objetivo do levantamento foi reunir informações sobre perfil, necessidades e prioridades da população – informações essenciais para orientar políticas públicas, fortalecer ações locais e apoiar soluções construídas em diálogo com a comunidade.
O projeto Atlas da Migração Internacional no Paraná, da UFPR, esteve envolvido junto com a Acnur na elaboração dos questionários, no treinamento das equipes de recenseadores e na sistematização dos dados levantados. O coordenador da iniciativa, professor Márcio Oliveira, conta que a comunidade é composta por brasileiros e pessoas de mais cinco nacionalidades, vivendo de maneira bastante integrada.
“São famílias, a maioria haitianas, que estão buscando o último degrau da integração econômica, de tornarem-se proprietárias de casas e terrenos, o que dá uma garantia imensa para sua permanência no Brasil”, afirma. “Esse censo mostra o quão importante a migração tem sido para o desenvolvimento do Estado e a diversificação de sua cultura. O Brasil, por meio de suas políticas públicas, mostra mais uma vez que é uma sociedade muito acolhedora, capaz de integrar, prestar assistência e fornecer os serviços básicos para toda a população”.
Atualmente, a comunidade Andorinhas possui 1.002 domicílios. Destes, 844 foram alcançados pelo censo, reunindo informações sobre 2.557 pessoas. A população registrada é majoritariamente brasileira, mas há presença expressiva de pessoas migrantes e refugiadas. No total, são 820 pessoas não brasileiras registradas na comunidade, ou 32,1% do total com base na nacionalidade registrada. A população haitiana é o maior grupo, com 727 pessoas em 270 domicílios.
A chefe do escritório do ACNUR em São Paulo (SP), Maria Beatriz Nogueira, destaca que o Brasil é o segundo país com maior número de pessoas haitianas em necessidade de proteção internacional fora do Haiti; também são acolhidas, todos os anos, dezenas de milhares de pessoas venezuelanas.
“Muitas dessas populações que foram forçadas a se deslocar buscam por um recomeço no Paraná, onde as comunidades e os governos precisam estar preparados para protegê-las e acolhê-las adequadamente, garantindo que seus direitos sejam respeitados. Nesse sentido, a realização deste censo é essencial para conhecer quem são essas pessoas, quais as suas demandas mais urgentes, e para a construção e o aprimoramento de políticas públicas locais”, diz.
Realizado de abril a julho de 2026, o censo foi feito presencialmente por equipes da Prefeitura de Piraquara e pesquisadores da UFPR. No total, 96 profissionais estiveram envolvidos nas entrevistas aos moradores da comunidade.
Perfil da população e das condições de moradia
Entre os principais dados demográficos apontados pelo censo estão os recortes por gênero (50,7% de homens e 49,3% de mulheres), faixa etária (predominante entre 30 e 59 anos, com 39,2% do total da população local) e escolaridade (com maior faixa tendo cursado ensino fundamental – 41,2%).
Quanto às condições de habitação, o censo também aponta que, na comunidade, o acesso à água encanada, à coleta adequada de esgoto e à energia elétrica é precarizado, com a maior parte dos domicílios tendo ligações informais ou comunitárias. Apesar dos desafios estruturais, o acesso a serviços de saúde e de assistência social é realidade para a maioria da população – 84,9% afirmaram recorrer a Unidades Básicas de Saúde e 62,7% dos domicílios estão no Cadastro Único para Programas Sociais.
Devido à presença expressiva da população haitiana e da necessidade de se pensar políticas públicas voltadas para a integração e autonomia do público feminino, o censo também apresenta esses dois recortes. Na análise comparativa, o dado que mais se destaca é com relação à renda e ao acesso ao trabalho.
Apesar de as pessoas não nacionais representarem taxa ligeiramente maior de acesso ao trabalho (74% contra 71,5% entre brasileiros), o rendimento costuma ser menor, em especial entre as pessoas haitianas. Enquanto a população de Andorinhas sem nenhuma renda é composta 16,2% por brasileiras e brasileiros, haitianas e haitianos respondem por 24,7% desse total.
Esses e demais dados serão apresentados em detalhes durante o evento.
Serviço
Apresentação pública dos dados do Censo Comunitário Andorinhas
Data: 18 de agosto de 2026
Horário: 9h
Local: Auditório da Praça CEU (Rua Juri Danilenko, 3460. Guarituba, Piraquara – PR)
https://ufpr.br/ufpr
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